Adm. Tributária

Os descaminhos da riqueza brasileira

Saiu no Diário Oficial do dia 25 de fevereiro a circular 3278 do Banco Central. Importante, mas que não será cumprida. Farão maquiagem, como sempre. O Banco Central determina na circular: De 10 de março a 31 de maio deste 2005, residentes no Brasil, ou empresas com sede no Brasil, nacionais ou multinacionais, estão obrigadas a declarar o que possuem no exterior em moeda estrangeira. (Leia-se: dólares, não há como fugir).

Pouca gente soube dessa circular, já disse aqui várias vezes: a base central e definitiva do chamado jornalismo investigativo é o Diário Oficial. Ou pelo menos deveria ser, deveriam ler. Ontem os jornalões badalavam o acordo assinado pela Procuradoria Geral da República com o governo das Ilhas Jerseys. Que, sabidamente, é onde Paulo Salim Lutfalla Maluf tem o seu santo dinheirinho, ganho pelas estradas de São Paulo e resguardado pelos descaminhos dos paraísos fiscais.

É claro, lógico e evidente que os jornalões fizeram carga contra o ex-prefeito de São Paulo sem conhecerem a Circular 3278 do Banco Central. Também é claro, lógico e evidente que não quero nem vou defender Lutfalla Maluf, que montou uma escola de desencontro de dinheiro. Mas reconheçamos: a sua parte nesse latifúndio é no máximo, no máximo de 432 milhões de dólares, mas os paraísos fiscais e até grandes bancos guardam perto de 200 BILHÕES DE DÓLARES que saíram do Brasil das formas mais convenientes.

É estranho que essa circular tenha surgido do BC. Presidido por um personagem, Henrique Meirelles, acusado de lavagem de dinheiro, sonegação, formação de quadrilha, envio e propriedade de dólares no exterior. Como preside o núcleo central do trânsito de dólares do Brasil para o exterior, e até mesmo os dólares que ficam lá fora não chegam ao Brasil, Meirelles pode exibir até mesmo na televisão a sua isenção e imparcialidade: Viram? Editei circular que atingirá a mim mesmo.

Desde os tempos gloriosos do Diário de Notícias que falo sobre esses DÓLARES que partem do Brasil para os EUA (o exterior tem que ser logo identificado como sendo os EUA, só que a técnica e a rotina são estas: ficar pulando de banco em banco, às vezes passam por 3 ou 4 no mesmo dia).

Hoje, no exterior são mais de 200 bilhões de dólares desviados das formas mais subterrâneas, geralmente provenientes da corrupção. (Perdão, essa palavra não, FHC, o PSDB e alguns dos que enterraram, venderam ou doaram o Brasil têm horror a essa palavra, r-e-s-p-e-i-t-e-m-o – l-o-s. Em vez de corrupção, fiquemos no descaminho.

Com o aumento das exportações e evidentemente das importações, cresceu e muito o que sempre foi feito no setor: SUPERFATURAMENTO e SUBFATURAMENTO. Nas exportações, as faturas são colocadas com preço menor, a diferença fica lá fora. Nas importações, a fatura aparece com preço bem maior, outra diferença que também jamais vem para o Brasil. Como por causa do sistema econômico-financeiro vivemos escravizados ao dólar e à exportação-importação, o desvio de dinheiro é m-o-n-u-m-e-n-t-a-l.

Está aí a CPI do Banestado que ão deixa ninguém mentir. O tempo de duração dessa CPI foi esticando, esticando, até acabar em nada. Grandes e poderosos bancos foram acusados frontalmente, escondidos ou protegidos friamente. Foi o aborto da riqueza nacional, praticado clandestinamente em pleno Senado. E com senadores de avental branco, fingindo que tentavam estancar essa hemorragia, mas na verdade fazendo o Brasil sangrar cada vez mais.

Agora, especialistas de várias fontes tentarão encontrar uma forma de epatriar todo esse dinheiro. Será a mesma de sempre: permitir que devolvam o dinheiro ao País, egularizando a situação. Como ninguém tem confiança nos governos que vão se sucedendo no Brasil, não trazem nem trarão nada. Apesar do prejuízo constante e repetido. Lá fora, conseguem 2 ou 3 por cento de juros, aqui, 18,75%. (Por enquanto, por enquanto).

PS – A resistência de Lutfalla Maluf é baseada na cumplicidade dos que investigam sua fortuna. Como transitaram pelo mesmo caminho tranqüilo (raras vezes pedregoso), todos se protegem.

PS 2 – Como o dinheiro de Maluf está em território da Inglaterra, não é despropositado dizer: a circular do Banco Central foi feita para inglês ver. É imperioso ressaltar: Maluf tem 400 milhões, os outros, 199 bilhões e 600 milhões. Maluf todos acusam. E os outros?

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