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Escrituração eletrônica já conta com normas próprias

A tecnologia contábil recebeu um aval importante no último dia 2 de março, quando foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a resolução nº 1.020 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). A NBC T 2.8, em vigor desde a publicação, dispõe sobre as formalidades da escrituração contábil em forma eletrônica e estabelece critérios para garantir a confiabilidade, grande impasse que ainda freia o avanço na área, e trás consigo a promessa de uma revolução no modo de fazer a atividade. ?A partir de agora, tudo o que era feito no papel poderá ser feito da forma digital, com toda a validade jurídica e legal?, diz o diretor de Tecnologia e Negócios da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), Nivaldo Cleto.
Para ele, a tendência mais forte é a certificação digital, que vai permitir que os profissionais assinem livros diários, livros-razão, balanço e outras peças contábeis em forma eletrônica. ?Passaremos por uma mudança radical de hábitos porque será o fim do papel para a Contabilidade?, prevê. Ele lembra que o segmento contábil é um dos pioneiros na utilização da Certificação Digital no Brasil, com a exigência da Receita Federal, a partir deste ano, de certificação na entrega das Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTFs) mensais, considerada um marco tecnológico para o setor. A promessa de mudança nas rotinas de trabalho da classe é positiva, como projeta o especialista. ?O futuro, com a integração eletrônica das informações entre os clientes-contribuintes e as autoridades tributárias, cada vez mais os profissionais terão menos tarefas burocráticas, sobrando tempo para orientar e ajudar os clientes na gestão econômica, financeira e administrativa dos negócios?, diz.
Porém, entre tantas vantagens, Cleto alerta para a contrapartida representada pelo risco na guarda dos dados e o conseqüente custo para prevenir problemas. ?Nessa resolução foram estabelecidas regras para garantir a segurança no armazenamento eletrônico das informações, colocando o profissional contábil como principal responsável por esse trabalho?, ressalta.
De acordo com o texto, a escrituração contábil em forma eletrônica e as emissões de livros, relatórios, peças, análises, mapas demonstrativos e Demonstrações Contábeis são de atribuição e responsabilidade exclusiva do profissional legalmente habilitado com registro ativo em Conselho Regional de Contabilidade e devem conter certificado e assinatura digital do empresário ou da sociedade empresária e de contabilista. Esse deve tomar as medidas necessárias para armazenar em meio eletrônico ou magnético, devidamente assinados digitalmente, os documentos, os livros e as demonstrações, de modo a permitir a sua apresentação de forma integral, nos termos estritos das respectivas leis especiais ou em juízo quando previsto em lei.
O presidente da Comissão de Tecnologia da Informação do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRC-RS), Ricardo Kerkhoff, reconhece que o aproveitamento dessas novas possibilidades exigirá investimento por parte dos profissionais, mas afirma que o retorno será compensador quando houver planejamento. ?A tecnologia, quando bem aplicada, promove segurança, confiabilidade, disponibilidade, agilidade e controle das informações pertinentes ao negócio, características cada vez mais necessárias às instituições contábeis?, garante. Ao contrário, o que poderia ser um fator de sucesso pode se tornar um entrave ao desenvolvimento do negócio. O que motiva a resistência da alguns profissionais à sua utilização, opina Kerkhoff.
A resolução do CFC ainda define critérios e procedimentos para a escrituração contábil em forma eletrônica e para obter a certificação digital, com validade perante terceiros. Também apresenta regras para a digitalização do acervo já existente. De acordo com a norma, para serem válidos, documentos em papel armazenados em meio eletrônico ou magnético devem conter a assinatura da Pessoa Física ou Jurídica responsável pelo processo de digitalização, pelo profissional contábil e pelo empresário ou sociedade empresária que utilizarão certificado digital expedido por entidade credenciada. Os documentos digitalizados, de acordo com a norma, devem ainda ser apresentados aos serviços notariais para autenticação nos termos da lei.

Cleto enumerou os programas imprescindíveis

Bancos de Dados Orientados a Objetos, chamados ?OO?, mais seguros e práticos, sistemas desenvolvidos em multicamadas, mais leves, completamente integrados para evitar o retrabalho e a potencialização dos erros, com linguagem leve, porém gráfica para exigir menores investimentos no parque computacional, aumentando a motivação no manuseio. Mesmo que não pareça, essa é a descrição de um escritório contábil, ainda que virtual.Em tempos de constantes lançamentos e inovações na área, os empresários se esforçam para acompanhar os avanços e oferecer o mínimo em termos de conveniência e interatividade a sua clientela. Mas o que é considerado mínimo em termos de tecnologia contábil? A discussão ganhou uma nova contribuição nesta segunda-feira, quando o contador e engenheiro eletrotécnico, empresário, perito judicial e diretor de Tecnologia e Negócios da Fenacon, Nivaldo Cleto, ministrou palestra para profissionais contábeis, em Porto Alegre.
?O profissional da era digital necessita de informações tecnológicas de vanguarda para se manter atualizado e continuar prestando um serviço com qualidade e agilidade aos seus clientes?, defendeu Cleto. Ele enumerou os principais equipamentos e programas que os pequenos e médios escritórios devem possuir para garantirem uma infra-estrutura mínima que possibilite prestar serviços com agilidade e confiabilidade: servidores, scanners, aparelhos multifuncionais e impressoras laser.
O especialista comentou a tendência de implantação do sistema Terminal Server, que possibilita recuperar máquinas antigas, como Pentium I e mesmo 486, oferecendo economia através da dispensa de novas aquisições e de custos de licenças de softwares. ?A implantação dessa tecnologia possibilita um controle melhor de toda a rede, abrindo as portas para que os clientes e os próprios colaboradores acessem a base de dados de qualquer lugar do planeta, através da internet.? Ele aposta no futuro da prestação de serviços em casa, com homeworkers e infoworkers. Cleto destacou a importância do investimento em segurança para resguardar a base de dados dos ataques de vírus, monitoramento do uso da internet, comunicação instantânea, banda larga, ADSL, comunicação sem fio, e deu dicas de sites úteis.

Planejamento e integração são fundamentais

A boa tecnologia é a que funciona bem. Esse deve ser o destino dos recursos dos empresários contábeis que desejam conquistar esse importante diferencial competitivo. Em meio à grande oferta de produtos e serviços, o JC Contabilidade buscou dicas para orientar a aplicação de recursos, potencializando seus resultados.

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