Tributária

Entenda o esquema descoberto pela Operação Tango para fraudar a Receita

Érica Santana
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Núcleo de Repressão a Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, em Santa Maria, iniciou investigações sobre possíveis fraudes na Receita Federal em 2002, quando um grupo liderado pelo argentino encaminhou pedido de restituição de R$ 75 milhões, quantia considerada muito elevada para o porte da cidade. Essa investigação ficou conhecida como Operação Tango.

De acordo com o delegado regional de combate ao crime organizado em Porto Alegre responsável pela coordenação da Operação Tango, Ildo Gasparetto, o método da organização baseava-se em acesso a informações privilegiadas. "Essa quadrilha tem indícios de ?propinoduto? no Rio de Janeiro, de fraudes na previdência nos anos 90, e agia basicamente através de informações privilegiadas, descobrindo empresas que tinham dívidas com a Receita Federal", explica. Nesse caso específico, Gasparetto diz que a dívida não era com a Previdência, mas com o Fisco. "Assim, ofereciam serviços para zerar essa divida. De que maneira? Dizendo que possuíam créditos que poderiam abater a dívida na Receita Federal".

Em junho de 2004, o Banco Santos comprou a empresa Vale Couros Trading S.A. ? utilizada pela organização criminosa para emitir esses créditos "frios". A Vale Couros Tradding S.A. já não tinha visibilidade no mercado desde 1996. A PF também está investigando a participação de outros bancos no esquema da quadrilha.

Durante a operação, os agentes da Polícia Federal apreenderam cerca de 15 automóveis, entre os quais um Mercedes e um Porsche, um iate, pelo menos dois aviões e dez quilos de esmeralda.

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