Tributária

Quadrilha acusada de fraudar o fisco é desmantelada

18h08 – Treze pessoas acusadas de integrar uma quadrilha especializada em extorsão e crimes contra a ordem tributária, que atuava no Distrito Federal, foram presos nesta quinta-feira. Segundo a Polícia Civil, a estimativa é de que o valor da fraude passe de R$ 50 milhões. Na ação batizada como ?Operação Tentáculo?, foram apreendidos computadores, disquetes, documentos ilícitos, nove armas de fogo e cerca de US$ 60 mil. O bando é composto por auditores e fiscais tributários.

De acordo com o secretário de Fazenda, Valdivino Oliveira, o golpe foi denunciado há seis meses por um contribuinte que se sentiu perseguido pelos auditores fiscais. A partir dessa denúncia, a Secretaria fez um levantamento e avisou a Receita Federal e a Polícia Civil. ?Agimos em silêncio. Iremos tomar todas as medidas para reparar os prejuízos ao Tesouro?, afirmou.

Para a corregedora-Geral do DF, Anadyr de Medonça Rodrigues, todos os integrantes serão penalizados de acordo com o processo administrativo instaurado pela Corregedoria do DF e com decisão da Justiça. ?Quando esse processo estiver concluído, todos os auditores fiscais envolvidos no caso serão afastados do cargo?, explicou. O secretário de Segurança Pública, Athos Costa de Faria, acrescenta que a operação foi feita em sigilo para não comprometer os trabalhos. ?Não podemos dar muito detalhe da operação, pois ela ainda não acabou?, informou.

O golpe
Segundo o chefe da Polícia Civil do DF, delegado Laerte Bessa, a operação Tentáculo envolveu 141 policiais e tecnologia de inteligência de última geração. O delegado relata que mais de 30 empresas de vários segmentos e dez escritórios de contabilidade estão envolvidos no golpe. Além de mais 67 pessoas, num total de 80 integrantes. ?Dessas 13 pessoas presas, seis são servidores do governo. Sendo que quatro estão na ativa e dois aposentados?, observou. ?O governador do DF já assinou um decreto afastando essas pessoas de seus cargos. Vai sair amanhã no Diário Oficial?, afirmou o porta-voz Paulo Fona.

Bessa relatou que os auditores fiscais faziam fiscalização de irregularidades nas empresas e extorquiam os empresários. Por exemplo, se o contribuinte desse o dinheiro estipulado pelo auditor, ele não receberia a multa aplicada pela irregularidade. ?Conseguimos prender os ?cabeças? da operação que são auditores fiscais e recebem cerca de R$ 12 mil por mês?, disse.

Para o delegado do Departamento de Atividades Especiais da Polícia Civil, Celso Ferro, a estimativa é de que a quadrilha já atuava há dois anos no DF. ?Ainda temos algumas investigações, mas a operação deve ser finalizada em 30 dias?, ressaltou. Ferro complementou que todos os bens e patrimônios dos integrantes da quadrilha estão sendo apurados e investigados. ?A prisão foi apenas um inquérito a ser instaurado. Temos ainda 23 ações a prosseguir nessa operação?, comentou.

Grupo
Os acusados de integrar a quadrilha são: os cabeças da ação e auditores fiscais Sami Kuperchmit e Sônia Maria de Andrade Santos. Os contadores, Luiz Carlos Santiago Papa, Francisco Lúcio Gomes, Waldemar Walter de Assunção e Silva Filho e Helton Correia de Souza. O corregedor da Fazenda do DF, Geraldo Eudóxio Cândido Lima. Auditores tributários aposentados, Tomaz Canabrava Junior e Vicente de Paulo Ribeiro. Fiscal Tributário e Presidente do Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, Jaime Pereira Sardinha. Advogada e filha de Sami, Tamara Kuperchmit e Lincoln Trindade Neto.

Os 13 estão na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e responderão por crime contra a ordem tributária (2 a 8 anos), extorsão (4 a 10 anos), corrupção passiva e ativa (2 a 12 anos). Os outros 67 suspeitos serão indiciados por crime de corrupção passiva.

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