Corporativa

Olhar voltado para o futuro

Quem pensa que os profissionais da contabilidade lidam apenas com números, alheios às ações de responsabilidade social, muito se engana. Seu conhecimento técnico é fundamental para que as pessoas, físicas ou jurídicas, direcionem recursos a projetos ou entidades por meio de incentivos fiscais. Atentas a isso, as entidades da categoria exercem o papel de facilitadoras do envolvimento dos técnicos contábeis e contadores com o processo de inclusão, seja por meio de ações conscientizadoras ou assistenciais.
A partir do dia 3 deste mês, o Conselho Regional de Contabilidade (CRC-RS) enviará um questionário a seus filiados com perguntas sobre incentivo fiscal. O teste, que também será disponibilizado no site www.crcrs. org.br, está sendo elaborado para verificar o nível de informações que os profissionais possuem a respeito dos mecanismos legais de dedução de impostos.
Com a participação da categoria, o CRC-RS poderá direcionar as ações de capacitação conforme as reais necessidades de informação dos profissionais contábeis. A idéia é fazer com que eles aproveitem as possibilidades de dedução de impostos, direcionando recursos para ações sociais ou culturais. Além do levantamento, também está prevista a publicação de um manual, com toda legislação sobre o tema e detalhes do processo operacional.
Ciente da importância do profissional contábil para a transparência nas empresas, o CRC-RS implantou uma comissão de estudos de responsabilidade social, integrada por seis profissionais. Mensalmente, eles se reúnem para discutir atividades de conscientização e disseminação do conhecimento sobre legislação. O coordenador, técnico contábil Marco Aurélio Bernardi, reforça que, com a pesquisa, o grupo verificará se os profissionais estão usando os incentivos disponíveis. ?Com carga tributária e juros altíssimos, o empresário não tem dinheiro sobrando, o governo libera esses recursos para a empresa poder investir na sociedade?, diz Bernardi.
Para divulgar informações sobre o assunto, o Conselho promove palestras e seminários. A X Convenção de Contabilidade do Estado já conta em sua programação com uma palestra específica sobre os mecanismos de dedução de impostos. O evento acontece em Bento Gonçalves, entre 17 e 19 de agosto, e a expectativa é de 2,5 mil participantes, segundo Bernardi.
Os integrantes da comissão de estudos do CRC-RS também atuam como consultores. Basta enviar as questões ou comentários por meio do site do conselho ou ligar para a entidade. Outra fonte de informações é a biblioteca do CRC-RS, onde os interessados podem consultar alguma literatura sobre o assunto, apesar da bibliografia ainda ser escassa.

Participação da classe gera aumento de doações a projetos comunitários

A parceria com outras instituições é um caminho para unir esforços em prol da responsabilidade social. Um exemplo é o Banco de Projetos Comunitários do Conselho de Cidadania da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). ?O objetivo é juntar conhecimento, instrumentalizar essa forma de incentivo e passar as informações para os empresários?, explica a vice-presidente de Comunicação do CRC-RS, Lúcia Regina Faleiro Carvalho, que representa o conselho nas iniciativas de responsabilidade social.
A participação do CRC-RS no Banco de Projetos Comunitários foi determinante para um aumento significativo de doações por dedução do Imposto de Renda (IR). Em 2003, foram R$ 3,5 milhões. Em 2004, as doações quase dobraram, com captação de R$ 5,8 milhões, segundo o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Porto Alegre. Incluindo os repasses do Estado e do município, o valor total chegou aproximadamente a R$ 10 milhões.
Entre as atividades, o CRC-RS colaborou com a publicação do Guia do Fundo Pró-Infância, disponível também no site http://www.proinfan-cia fiergs. com. br. O manual destina-se às entidades assistenciais e traz instruções sobre prestação de contas, constituição de entidades e modelos de atas e estatutos. ?É o contador ou o técnico contábil que verifica como é feita a doação, qual formulário preencher, para quem enviar recibos, como controlar o processo na Receita Federal. O profissional da contabilidade é o operacionalizador desses procedimentos, além de conhecer a legislação.?
Os recursos captados são destinados ao Fundo Pró-Infância, mediante os programas aprovados pelo Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente (Funcriança) – instituído pela Lei nº 8.069, de 1990. Tanto a pessoa jurídica como a física podem descontar do IR. Os valores são repassados pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente da Capital às entidades conveniadas.
No site, estão listadas as entidades cadastradas. Um software simula, para as pessoas físicas quanto elas doariam de seu imposto devido, respeitando o limite de dedução de até 6% do IR. A pessoa jurídica pode deduzir até 1% do IR devido, calculado sobre a alíquota de 15%.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Lúcia Castêncio, garante que há maior transparência e clareza no processo de doações desde que o CRC-RS entrou no Conselho da Cidadania da Fiergs. ?A participação do Conselho foi um marco significativo para o pró-Infância, ampliando as deduções do IR, foi uma mudança visível.? Para ela, os profissionais contábeis tem competência para intervir junto aos empresários e às pessoas físicas, de modo a facilitar a operação do incentivo fiscal. ?Eles trazem transparência e tranqüilidade ao processo de deduções fiscais, pois são pessoas de confiança do contribuinte?, disse, explicando que muitos ainda deixam de deduzir porque temem problemas com a malha fina.
Outra ação que trouxe resultados ao projeto foi uma prestação de contas realizada em 15 de dezembro do ano passado. Até o dia 28 do mesmo mês, Lúcia conta que foram captados R$ 3,5 milhões. Na ocasião, contribuintes doadores e empresários convidados conheceram os valores arrecadados, a aplicação dos recursos nas instituições e os resultados, conforme fiscalização do Conselho Municipal – órgão responsável pela transferência das doações e pelo acompanhamento da aplicação dos recursos. Todas as entidades conveniadas passam por certificação da prefeitura, para garantir o destino correto dos recursos. Neste ano, a presidente informa que foram captados mais de R$ 700 mil de janeiro a maio. ?Por isso a importância do envolvimento cada vez maior com o CRC, para garantir transparência.?

Iniciativa traz retorno também ao profissional

Atuando como um promotor da responsabilidade social, além de beneficiar a empresa e o público, os profissionais da contabilidade ganham valorização no mercado. De acordo com o técnico contábil, Marco Aurélio Bernardi, o empregador ou cliente gosta que o profissional lhe mostre as possibilidades de deduções. ?O profissional demonstra ser um bom contador, a empresa não pode só encher a conta bancária, pois depende dos clientes e fornecedores para crescer.? O gerente de contabilidade da Distribuidora Ipiranga salienta que o público tem que sentir a coerência ética da corporação para se fidelizar aos seus serviços ou produtos.
A vice-presidente de Comunicação do CRC-RS, Lúcia Regina Faleiro Carvalho concorda que o domínio das leis de incentivo podem ser uma vantagem no mercado de trabalho. ?O profissional que tem a percepção de que é um agente para minimizar questões sociais é valorizado. Se ele tem o conhecimento técnico e é voltado para comunidade, agrega valores econômicos e éticos ao seu cliente.? Para ela, o contador ou técnico contábil não precisa esperar a iniciativa da empresa, ele mesmo deve ser pró-ativo e dar sugestões. Lúcia informa que os contabilistas podem atuar com responsabilidade social, exercendo a sua própria atividade ao elaborar o balanço social, o relatório de responsabilidade social, conhecendo a legislação de renúncia fiscal e os procedimentos para destinação de recursos. ?Podem incentivar colegas, empresas e empresários clientes a contribuir para o desenvolvimento social, pois são formadores de opinião e orientam nas decisões tributárias de seus clientes e empregadores?, afirma.

Print Friendly, PDF & Email

Comentário fechado