Adm. Tributária

Gestão tributária põe a mira na concorrência

Analisar o quanto as empresas concorrentes pagam de tributos tem se tornado para as organizações uma estratégia para encontrarem ?brechas? na legislação tributária brasileira para pagar menos tributos.
Por causa do interesse das empresas em reduzir as suas despesas com impostos, as consultorias especializadas em gestão tributária estão tendo um acréscimo de demanda de até 25% este ano e desenvolvendo até quatro projetos simultaneamente.
Esse é o caso da KPMG. Segundo Diogo Ruiz, sócio diretor da área de tributos da consultoria, a gestão tributária aplicada nas empresas é útil para que as organizações verifiquem se os seus processos estão sendo operados de maneira correta e com os devidos impostos. ?Muitas vezes o concorrente opera de maneira inviável e isso prejudica o desempenho da companhia que está na total legalidade?, diz.
Os serviços de consultoria e assessoria tributária este ano, estão gerando uma demanda 25% maior na KMPG. Seus principais clientes vêm das indústrias de bebidas e automobilísticas, que acompanham atentamente o movimento da concorrência. A cada novo produto lançado é grande o impacto dos tributos em suas notas fiscais.
Um dos primeiros passos dos consultores para entender onde estão as brechas tributárias da lei é identificar o que não está sendo pago pela concorrência. Para que isso ocorra, é preciso também saber como a empresa está organizada e em quais posições estão os principais executivos. Se todos eles têm conhecimento da carga de tributos de acordo com a classificação de cada produto da sua companhia.
?O diagnóstico que a empresa faz é para levar aos profissionais do alto escalão informações de como funcionam na prática os processos internos da empresa e quais tributos ela tem. A partir daí, é preciso pensar como está agindo o seu concorrente perante o fisco?, explica.
Mudanças na operação
Para Lúcio Abrahão, sócio da BDO Trevisan , a procura das empresas pelos trabalhos de gestão tributária acontece porque as organizações querem reduzir os seus custos fiscais para concorrer de igual para igual no mercado. ?Hoje os produtos são todos iguais e as empresas concorrem entre elas no mesmo mercado. Para ser tornarem competitiva elas têm de olhar a gestão como um todo?, afirma.
A Trevisan, atenta às novas necessidades do mundo corporativo, inaugurou na semana passada um escritório em São José dos Campos.
A região, considerada pela consultoria um pólo de excelência tecnológica, congrega uma série de companhias fabricantes de produtos e serviços tecnológicos que gerará uma demanda específica para a assessoria.
Além do setor tecnológico, é das organizações do segmento financeiro e de serviços que saem a maioria dos contratos da Trevisan. Este ano, a consultoria terá uma demanda 10% maior. ?A posição que o Brasil ocupa atualmente no mercado internacional faz os empresários investirem novamente. Isso gera mais problemas com os tributos?, diz o consultor.
Abrahão diz existir nas empresas peculiaridades que podem ser estratégicas para definir qual será a melhor gestão tributária a ser adotada do ponto de vista legal. Para chegar a esse denominador comum a consultoria analisa os planos de negócios da companhia. Assim ela passa a se preparar para reduzir os custos.
?O que fazemos é mostrar às empresas determinados benefícios que elas não conhecem. Identificado onde estão os gastos, sugerimos mudanças na forma de operar?, afirma.
Eficiência fiscal
A Ernest & Young , depois de aplicar por mais de dois anos os serviços de gestão tributária na Argentina, a empresa trouxe a metodologia para o Brasil. Aqui a consultoria chama o serviço de matriz de eficiência fiscal. ?Desenvolvemos para as organizações uma matriz onde são analisados os encargos tributários que as empresas do mesmo setor e concorrentes têm?, diz.
De acordo com o sócio diretor da Ernest & Young, Marcelo Jordão, este ano o segmento da empresa cresce 15%.
Os principais clientes da consultoria estão no setor siderúrgico e de telecomunicações. ?Quando a empresa busca a consultoria é para saber onde existe espaço para diminuir os seus impostos. A gestão tributária é uma metodologia que faz o controle fiscal para mudar a administração da companhia?, explica.
Na PricewaterhouseCoopers , a área de gestão tributária cresce 15% este ano. Esse aumento nos serviços ocorre porque as organizações estão acompanhando com mais atenção as normas fiscais das quais estão sujeitas. Essa movimentação para encontrar espaços e reduzir tributos ganhou forças depois de entrar em vigor a Lei Sarbanes-Oxley (Sox), em 2002, ? lei norte-americana que visa reforças as estruturas de controles internos para evitar fatos como os da Enron.
Depois de aprovada a Sox, as grandes companhias tiveram de aperfeiçoar os seus métodos de demonstrações financeiras, usando procedimentos documentados e relatórios de toda a movimentação interna para aprimorar a sua governança corporativa.
?As corporações estão vivendo na onda da governança corporativa. Buscam uma padronização das demonstrações financeiras e tributárias?, diz Otavio Maia, líder da consultoria Price no Brasil.
?A Sox se tornou um diferencial competitivo obtido pelas organizações. Se adequar à lei Sarbanes confere à empresa uma imagem de confiança diante de parceiros e clientes?, completa.
A PricewaterhouseCoopers no País não lançou nenhum produto ou serviço específico este ano. A plano da consultoria no momento é apoiar os seus clientes em seus temas pontuais, como é o caso das empresas que ainda estão fazendo uma estruturação para atender aos requisitos da Lei Sarbanes-Oxley.

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