Tributária

Greve da Receita Federal leva 2 mil operários de Manaus a tirar férias coletivas

Manaus – Dois mil operários do Pólo Industrial de Manaus (PIM) estão sendo obrigados a tirar férias coletivas antecipadas em função da greve dos auditores fiscais da Receita Federal, iniciada em 2 de maio. "Esse número poderá chegar logo a 5 mil se não tivermos uma solução urgente para a greve", disse hoje (16) à Radiobrás o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Maurício Loureiro.

De acordo com ele, a Zona Franca de Manaus é especialmente afetada pela paralisação dos fiscais, porque os componentes importados utilizados pelas empresas não estão sendo liberados. "Estamos com linhas de produção paradas, com vendas retidas. Isso representa 40% do movimento do Pólo Industrial".

Segundo Loureiro, são US$ 33 milhões por dia de prejuízo. "Se você contar os dias úteis de greve, deixamos de ganhar cerca de US$ 1 bilhão", reclamou Loureiro. Ele esclareceu, ainda, que o Cieam usou no cálculo desse número a expectativa de faturamento das indústrias do PIM para 2006, que é de US$ 21 bilhões.

Maurício Loureiro afirmou que os empresários evitam falar em demissões, embora esse risco não esteja descartado. "Vamos intensificar o processo de férias, chamar o sindicato para um acordo maior, tentar segurar ao máximo", argumentou. "Fizemos um investimento ao longo de muitos anos na qualificação dessa mão-de-obra. E isso custa muito, assim como é caro demitir no Brasil".

A última assembléia-geral do Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco Sindical) ocorreu na quarta-feira (14). Os 2,4 mil trabalhadores presentes aprovaram a manutenção da greve por tempo indeterminado. Eles reivindicam um reajuste salarial de 57,66% para a remuneração inicial, de 27,13% para os salários pagos ao final da carreira e de 50,73% para os servidores aposentados. Segundo estudo do sindicato, intitulado "Subsídios para Campanha Salarial", esse seria o aumento mínimo necessário para recompor as perdas de poder aquisitivo que os servidores sofreram entre janeiro de 1995 e dezembro de 2005.

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