Corporativa

Busca por auditoria cresce com lei americana

Silvia Rosaleia
Com o estreitamento do prazo para se adequarem às novas regras para a certificação relativa a segunda fase da lei americana Sarbanes-Oxley (SOX), cerca de mil empresas instaladas no Brasil têm elevado em até 80% a demanda registrada por auditorias especializadas este ano. Deste total, 69 são companhias nacionais que negociam American Depositary Receipts (ADRs) na bolsa dos Estados Unidos. O restante são subsidiárias de multinacionais estrangeiras que operam no País e têm de contratar consultorias com atuação nacional para auditarem seus balanços contábeis.
Essas empresas têm até o fim do ano para estarem em conformidade com a Seção 404 da SOX, que trata de controles internos e da divulgação da documentação e relatórios referentes aos riscos das empresas. Com isso, cresce a demanda pelos serviços de auditorias nas grandes consultorias do mercado como a Deloitte , Ernst & Young , BDO Trevisan e PriceWaterhouseCoopers , ao mesmo tempo que as auditorias internas ganham maior importância para o planejamento dos negócios das empresas.
A procura das empresas em busca da certificação conferida pela Securities and Exchange Commission (SEC), Comissão de Valores Mobiliários americana, aumentou de 60% a 80% para a Ernest Young. Segundo o sócio da consultoria, Sérgio Citeroni, essa demanda foi impulsionada no ano passado pelas empresas norte-americanas com filiais no Brasil. Este ano, o serviço de auditoria externa tem sido contratado por empresas nacionais e estrangeiras com papéis listados nas bolsas norte-americanas. ?As companhias estão criando seus comitês de auditoria para garantir a independência no controle do balanço financeiro e avaliação dos projetos desenvolvidos pela auditoria interna?, diz Citeroni.
A criação de comitês de auditoria, que monitoram o trabalho da auditoria interna e são responsáveis pela contratação das consultorias externas, e é uma exigência da SOX para as empresas norte-americanas.
No caso das companhias brasileiras, essa função é desempenhada, muitas vezes, pelo Conselho Fiscal, que teve de se adaptar para realizar a função.
Para o gerente do setor de finanças da Case Consulting, Paulo Coutinho, essa demanda pela contratação de profissionais para atuar na auditoria interna foi muito grande no ano passado, período em que as empresas estavam reestruturando a administração de controles internos. ?As empresas criaram suas auditorias internas porque estava muito caro terceirizar os serviços para consultorias profissionais, devido à alta demanda no mercado por esse tipo de serviço?, explica.
A maioria das vagas abertas neste momento, segundo Coutinho, é para reposição de profissionais contratados para integrar os comitês.
Busca por transparência
A busca por um controle maior dos riscos e por transparência dos balanços contábeis também tem contribuído para o crescimento da demanda por auditorias externas da BDO Trevisan, que segundo seu sócio diretor, Eduardo Pocetti, registrou um aumento de 40%, do segundo semestre de 2005 até o momento. ?O mercado continua aquecido este ano devido à busca das empresas para atestar seus controles internos?, afirma.
Ele explica que as empresas, preocupadas com a segurança de suas informações, estão ampliando a sua avaliação de risco, independentemente de atender as regulamentações do mercado.
Controle de riscos
De acordo com o sócio da Ernst & Young, Sérgio Citeroni, a busca por um controle maior dos riscos e por transparência das informações tem sido adotada não apenas por empresas compromissadas com a SOX. As exigências cada vez maiores por boas práticas de governança corporativa têm motivado também empresas que querem profissionalizar sua gestão a criarem suas auditorias e comitês internos.
Valorização da auditoria
A responsabilidade das organizações com o controle financeiro e mensuração dos riscos promoveu uma valorização da área das auditorias internas e externas.
Para o sócio de gestão de riscos empresariais da consultoria Deloitte, Marcelo Azevedo Alcântara, o setor assumiu uma posição central no cenário de esforços pela governança corporativa e passou a exercer uma função essencial no planejamento dos negócios, participando ativamente das iniciativas de aprimoramento da qualidade dos sistemas de gestão. A consultoria apresentou um crescimento de 35% nos últimos três anos em função da busca das empresas em aprimorar seus programas de controles internos e garantir segurança aos processos de gestão.
De acordo com estudo divulgado recentemente pela Deloitte, há uma clara tendência de mudança nos níveis de relacionamento do auditor interno nas organizações, à medida que ele tende hoje a se reportar não mais à área financeira, gerenciada pelo Chief-Financial Officer (CFOs), como ainda predomina em algumas empresas, mas diretamente ao Comitê de Auditoria ou Conselho de Administração, cumprindo com o propósito de imprimir maior objetividade e independência ao papel da auditoria interna. Além disso, a auditoria interna passou a desempenhar um papel de apoio do Conselho de Administração na divisão de responsabilidades na supervisão dos processos.

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