Tributária

Declarações do IRPJ mostram empobrecimento de empresários

O prazo para a entrega das declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica terminou ontem. E o que se viu foi um mar de empresas comprovando o que todos já sabiam. A maioria delas está em sérias dificuldades, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade-Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro. ”Nós conversamos com vários empresários da contabilidade e todos eles comentam a mesma coisa. A maioria das empresas de seus clientes está com sérios problemas financeiros. Os balanços mostram que quando o empresário não está perdendo já pode se considerar feliz”.

Ribeiro diz que o processo de empobrecimento do empresário brasileiro vem de alguns anos. Segundo ele, o divisor de águas aconteceu durante o governo Itamar Franco, quando houve a estabilização da moeda. ”Até então, com a inflação muito alta, o empresário muitas vezes deixava de vender pois acreditava que estava ganhando com a valorização do estoque de mercadorias. Foi o tempo dos estoques altos”.

Com a estabilização, diz Ribeiro, os empresários tiveram que reaprender a trabalhar e uma boa parte, como todos sabem, acabou fechando suas empresas. ”Não é preciso ir muito longe. Aqui em Londrina mesmo, quantas empresas sólidas que existiam há 15 anos não desapareceram? O pior é que, de lá para cá, a carga de impostos só cresceu e hoje chega a 40%. Se você levar em conta que a economia do país está crescendo ao ritmo de uma tartaruga, perceba como está a situação do empresário”, diz Ribeiro.

O presidente do Sescap-Ldr comenta que as empresas de contabilidade, além de fazerem as declarações de renda das empresas fazem também as dos sócios e de seus familiares. Segundo ele, é possível perceber se há um descompasso entre a declaração de pessoa física e jurídica. ”Houve época em que a empresa era pobre, mas o empresário era rico. A empresa parecia não dar lucro, mas o empresário aumentava substancialmente o seu patrimônio. Hoje está acontecendo o inverso. Muitos empresários estão vendendo patrimônio particular para saldar dívidas da empresa”, acrescenta Ribeiro.

”Quando o empresário está de carro novo é bem possível que foi adquirido através de leasing. Não há quase dinheiro em circulação. O carro pertence ao banco, a casa é financiada, a dívida familiar é grande”, acredita. Segundo ele, boa parte das empresas tem um passivo desconhecido.”Como elas não conseguem pagar todos os encargos, sempre fica algo para trás, que será cobrado lá na frente. Seja uma ação trabalhista ou ação fiscal da Receita. Via de regra o ativo é inferior que o passivo. Acaba tudo imobilizado. O maior sinal do endividamento é o grande número de solicitação de parcelamento de dívidas. A empresa parcela, não consegue pagar e é obrigada a reparcelar e assim por diante”, esclarece.

Além da carga tributária excessiva e da retração na economia, outro fator que tem prejudicado muito, avalia Ribeiro, é a taxa de juros bancários. As linhas de crédito são escassas e os bancos exigem tantas garantias que só os que não precisam podem fazer empréstimos para investir no negócio. ”Com juros tão altos e sem linhas de crédito para investimento, o empresário fica de mãos amarradas. Não tem para onde correr. A prova do empobrecimento está nas declarações de imposto de renda. É incontestável. É uma pena”.

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