Tributária

Greve dos auditores federais causa prejuízo às indústrias

Roberto Hunoff, de Caxias do Sul

A Randon S.A. Implementos e Participações, de Caxias do Sul, ingressou com mandados de segurança para garantir a liberação de cargas paradas nos portos brasileiros em função da greve dos fiscais da Receita Federal. De acordo com o diretor corporativo, Erino Tonon, as linhas de produção ainda não sofreram processo de descontinuidade porque a empresa tem buscado alternativas no mercado interno e, em casos extremos, se socorrido de transporte aéreo. "É uma situação triste, que traz sérios prejuízos à imagem do País no exterior", observou o executivo.
Tonon argumenta que todas as empresas do grupo têm sofrido com a paralisação. A Randon Veículos, focada na produção de caminhões fora-de-estrada, é a mais afetada em função de ter em torno de 30% de seus componentes provenientes do exterior. Nas exportações, os prejuízos mais sérios atingem a Master, a Randon Implementos Rodoviários e Fras-le, que têm significativa receita proveniente do mercado externo. A Fras-le, por exemplo, exporta em torno de 50% do que produz.
A possibilidade de aumentar as compras no Brasil, segundo o diretor da Randon, é pouco viável, pois os componentes importados não têm produção local, e não se justifica o desenvolvimento de fornecedores em função da reduzida escala. Por conta das medidas adotadas e do atraso na entrega das cargas, a estimativa de Tonon é de custos adicionais na ordem de 5%. "Ainda não paramos nenhuma linha, mas estamos sofrendo muito".
Na Agrale, de Caxias do Sul, algumas linhas de produção de tratores de médio e grande portes estão tendo problemas de continuidade normal em função do atraso nas entregas de componentes importados, principalmente eixos de tração e transmissão. "Ainda não tivemos paralisação", sustenta Leandro Mardero, diretor de suprimentos da montadora. Observa, no entanto, que o atraso de entregas, que em alguns casos são até semanais, têm forçado, quando as peças chegam, a adoção de horas-extras para cumprir os compromissos. Reconhece que a empresa tem prejuízos financeiros, mas o mais grave, no seu entendimento, é o aspecto conceitual junto ao cliente.
Como forma de amenizar o impacto, a Agrale passou a reforçar programações e adiantar embarques, mesmo com a elevação dos custos financeiros. "Mas é uma solução para evitar possível paralisação de linha", comenta. Já a linha de caminhões e ônibus não tem sofrido muito, pois o volume de componentes importados é bem menor no setor. No segmento de tratores varia entre 15% a 20%.
Em nome dos 19 sindicatos patronais de Caxias do Sul, a direção da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) exigiu ações na esfera federal para solução do problema. No documento enviado ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, o presidente da entidade, João Francisco Muller, alerta para os graves prejuízos no fluxo produtivo das empresas, que não conseguem importar nem exportar. "Se continuar, a greve poderá levar o setor industrial ao colapso pela falta de matérias-primas, resultando no descumprimento de prazos de entrega, ferindo o princípio da tradição comercial", destaca.

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