Corporativa

CVM amplia limite para fundos

Os fundos de investimentos brasileiros poderão aplicar no exterior mais do que 10% do patrimônio líquido. Esse era o teto inicial dos estudos técnicos feitos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no processo de mudança da Instrução 409, que regula os fundos de investimentos no País. Mas ontem o superintendente de relações com investidores institucionais da entidade, Carlos Eduardo Sussekind, disse que o limite ficará acima disso.
Além do volume de recursos direcionados ao exterior, outro ponto polêmico em exame na autarquia está relacionado ao tipo de ativos que poderão participar da carteira dos fundos. Segundo Sussekind, há uma corrente que defende que papéis de maior risco, as Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) só possam fazer parte da carteira de fundos se contarem com garantia bancária.
Outros argumentam que, se houver essa exigência, esses títulos dificilmente serão emitidos. "São pensamentos distintos. Cada um com argumentos fortes a favor ou contra a exigência de mais garantias", comentou. Ele não quis dar sua opinião pessoal sobre o tema.
"Vou sair desta reunião e conversar com meus colegas de outras áreas para decidir sobre alguns pontos pendentes." A determinação final será do Colegiado da CVM.
Papéis privados ? Sussekind não quis adiantar pontos específicos das mudanças, alegando que a decisão caberá aos diretores, mas acrescentou que o objetivo é preparar os fundos de investimentos do País para uma nova realidade, com a predominância dos papéis de empresas privadas. "A tendência é uma redução da participação dos títulos públicos e ampliação do financiamento do setor privado", afirmou.
Além de contribuir para o financiamento das empresas privadas, os novos fundos permitirão ao mercado avaliar "quem é melhor gestor" de recursos de terceiros, disse Sussekind. "Atualmente existe quase uma padronização, já que o maior volume de recursos é direcionado para os papéis do governo, que têm os mesmos riscos e mesmas taxas de rentabilidade", comentou.
A respeito dos limites máximos para aplicação em papéis privados, Sussekind, foi evasivo. "Não haverá alteração relevante em relação à situação atual. Os novos limites são compatíveis com o que a indústria está adotando", observou. Representantes dos fundos reclamam que a CVM estaria propondo um limite máximo de 30% para a partici-pação de títulos privados na carteira dos fundos, mas Sussekind não quis entrar em detalhes sobre os tetos. (AE)

Print Friendly, PDF & Email

Comentário fechado