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CRISE É OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO INTERNO

Todos sabem que a crise provém do excesso de consumo dos EUA e da produção em demasia da China. Por uma década o primeiro consumiu mais do que produziu e o segundo produziu muito mais que consumiu. Os grandes déficits acumulados explodiram o sistema bancário americano, obrigando uma grande redução do consumo que por certo provocará sobra de produção em todo o mundo, principalmente na China e em países superavitários, como o Brasil, que dependem de suas exportações.

Está havendo ajuste de consumo que ensejará em uma grande sobra de produção. Em seguida virá o ajuste da produção e a quebra no comércio mundial. Todos vão querer exportar a qualquer custo e a China, com maior excesso de produção e menor custo, será uma ameaça à economia global.

O ideal seria que houvesse um esforço coordenado em nível mundial, visando ajustar a produção ao consumo com estímulos fiscais nos países com excedentes sem causar recessão e desemprego. Entretanto, sabe-se que isto é uma utopia e cada um cuidará de si mesmo, o que causará grandes danos a todos.

Precisamos aumentar o consumo interno e absolver parte das nossas exportações para não termos de fechar fábricas e reduzir a produção de matéria-prima. E isto só ocorrerá com injeção rápida de dinheiro no mercado para consumo imediato, estímulos fiscais e investimentos em infra-estrutura e setores manufatureiros.

A crise pode ser transformada em oportunidade de crescimento do mercado interno e de inclusão social se tomadas as medidas certas na mesma velocidade do ajuste do consumo e da redução das exportações. Por enquanto nada disto está acontecendo. Mesmo com os repasses de verba aos bancos para aumento do crédito, estes estão com aversão a riscos e a injeção no mercado está sendo lenta e ineficaz.

Nos EUA uma das medidas emergenciais foi a devolução de parte dos impostos pagos às pessoas físicas. Aqui, poderíamos adotar medidas enquanto outros programas de aceleração do crescimento como obras de infra-estrutura estejam efetivamente ocorrendo e o crédito volte à normalidade, como, por exemplo, antecipar três cotas do programa bolsa família, devolver parte do imposto de renda pago, reduzir para 50% o valor a pagar de todos os impostos para as empresas pelo prazo de dois meses e diminuir a taxa selic.

Pior do que a crise é o medo e a paralisia que ele provoca. O governo pode adotar um pacote de medidas que aumente a confiança do povo e das empresas, causando uma reação positiva em cadeia.

Precisamos aumentar o consumo para absorver o excedente produzido.

Se for feito rápido e com sucesso, sofreremos menos e os resultados políticos serão excelentes para o atual governo nas próximas eleições!
Dr. Nelson Lacerda (OAB/RS 39.797, OAB/SP 266.740A), Advogado da ANSP – Associação Nacional dos Servidores Públicos – www.anasp.org.br e Diretor da Lacerda e Lacerda Advogados Associados (OAB/RS 0882, OAB/SP 10.625) – www.lacerdaelacerda.com.br

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