Tributária

Receita põe em prática novo processo seletivo para preencher vagas

Arnaldo Galvão, de Brasília
A Receita Federal vai usar pela primeira vez seu novo Processo Seletivo Interno (PSI) preenchendo doze vagas para cargos de confiança, sendo oito delas para delegados e quatro para inspetores. O subsecretário Odilon Neves Júnior explica que as três marcas do modelo são maior participação dos funcionários, transparência e objetividade nas escolhas dentro da carreira. Após ajustes que passaram pelas orientações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do secretário executivo, Nelson Machado, portarias internas assinadas pela secretária Lina Maria Vieira definiram um complicado procedimento iniciado com a publicação do Quadro de Vagas (QV) disponíveis. Os candidatos devem atualizar suas informações em um Banco de Talentos (BT) para serem avaliados no Painel de Reconhecimento de Méritos (PRM).

Neves avalia que, na melhor das hipóteses, todo o processo deve durar cerca de 30 dias. Revela que também deve preencher outras onze vagas em seu gabinete – um assessor, dois chefes e oito técnicos – seguindo os mesmos critérios do PSI. É o primeiro passo para a padronização. Ele informa que as oito vagas de delegado são em Lajes (SC), Niterói (RJ), Jundiaí (SP), Limeira (SP), Fortaleza (CE), Montes Claros (CE), Manaus (AM) e Cuiabá (MT). As vagas de inspetor são em três portos (Rio, Vitória e Manaus) e Corumbá (MS).

Neves está otimista com o novo modelo e conta que o banco de talentos teve, até segunda-feira, oito mil atualizações de informações pessoais de funcionários. Depois dos rumores sobre a abertura das doze vagas, foram mais de mil acessos ao BT. A Receita tem aproximadamente 33 mil funcionários, entre auditores e analistas. Os reajustes prometidos pelo governo vão levar os principais salários da Receita, em 2010, a R$ 19 mil (auditores) e R$ 9 mil (analistas).

O PSI é integrado por três fases. A primeira separa, no banco de talentos, os candidatos às vagas. A segunda etapa atribui pontuação ponderada de acordo com a experiência profissional, histórico acadêmico e uma avaliação dos colegas da carreira. Esta avaliação entre funcionários somente passará a valer em 90 dias.

A terceira e última fase do PSI seleciona até cinco finalistas que serão submetidos a quatro filtros. Em primeiro lugar, será feita uma análise curricular detalhada. Depois, é a vez de julgar se o perfil do candidato é o mais adequado à função. O funcionário também passa por uma entrevista com seu futuro superior imediato e com outros dois julgadores designados. O PSI é encerrado com a decisão final da secretária da Receita.

Com a abertura dessas vagas, os funcionários da Receita interessados terão 15 dias para manifestar interesse. No início de janeiro, a Receita tinha desistido de um modelo de escolha de funcionários para cargos de confiança que incluía uma banca de avaliação integrada por três pessoas, incluída a secretária. Na ocasião, Neves justificou a correção de rumo afirmando que esse formato, semelhante ao das bancas das universidades, poderia levar à hipótese de a secretária ser voto vencido na banca.

De acordo com o subsecretário, o que alguns chamam de eleição será, na verdade, a simples indicação de funcionários, anonimamente, para que um ou mais colegas da carreira sejam escolhidos para postos de chefia. Ele ressalta que a escolha final será, sempre, da secretária. A Receita também limitará em quatro anos o período em que um funcionário poderá ficar nessas funções de chefia.

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