Tributária

Leão verde e amarelo abocanha torcedores

Juliana Cavalcanti

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Para quem está planejando reunir os amigos durante os jogos da Copa do Mundo, vale a pergunta: – Você sabe quanto paga de imposto no preço final da cerveja, do apito e da bandeira que usará para torcer pela Seleção Brasileira? Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), os tributos podem representar até metade do preço de um produto.

É o caso da cerveja, cuja tributação equivale a 54,80% do valor cobrado ao consumidor. Apesar de ter diminuído nos últimos quatro anos na maioria dos itens pesquisados, a carga tributária ainda é bastante elevada. "Houve uma pequena queda, principalmente relacionada ao fim da CPMF e a alteração da tributação, mas não são percentuais significativos. A carga tributária continua alta", afirma o presidente do IBPT, João Eloi Olenike.

Numa bola de futebol, por exemplo, 46,49% do preço final são impostos. Em 2006, o percentual era de 47,69%. Já no padrão (camisa e calção), os tributos equivalem a 34,67% do valor cobrado. Entretanto, a campeã em relação à elevação do percentual pago com impostos desde a Copa de 2006 é a televisão.

No modelo pesquisado pelo IBPT, de 29 polegadas, 38,34% do preço final eram impostos na última Copa do Mundo. Hoje, esse percentual passou para 44,94%. Num equipamento que custa, em média, R$ 800, os impostos significam R$ 360.

"A cobrança de impostos no Brasil tem uma característica muito ruim, porque incide de forma muito grande no consumo. Duas pessoas que compram a mesma TV, independente da renda, vão pagar os mesmos impostos e isso acaba prejudicando os mais pobres", critica Olenike.

Cobrança – Outra questão levantada pelo presidente do IBPT é o desconhecimento da população sobre o percentual de impostos que ele paga sobre cada produto consumido. Como os tributos não são explicados e compõem o preço final sem detalhamento, quem compra não tem uma ideia exata do quanto está pagando de impostos.

Para o presidente do IBPT, esse desconhecimento da carga tributária prejudica, inclusive, a cobrança que a população deveria fazer a respeito da aplicação correta dos impostos que são arrecadaso nos produtos, consumo e serviços. Na avaliação de João Eloi Olenike, é preciso conscientizar a população sobre a carga tributária aplicada no país. Do mesmo modo, a reforma tributária deveria ser discutida de forma mais contundente.

"Não é só nos produtos mais consumidos no período de Copa do Mundo que pagamos muitos impostos. É preciso que as pessoas tenham consciência disso, para também exigirem seus direitos quanto a aplicação dos tributos. Na avaliação do IBPT do jeito que a reforma tributária está sendo colocada, não passará de uma simplificação de tributos, mas sem resolver o problema", finaliza João Eloi Olenike.

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