Tributária

Volta dos impostos fará demanda cair e economia desacelerar, diz Mantega

Flávia Furlan Nunes

SÃO PAULO ? A volta dos impostos, após um período de desoneração, fará a demanda cair e a economia desacelerar, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, depois da divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre do ano, nesta terça-feira (8).
?No segundo trimestre, já há dados de desaquecimento. O crescimento no ano vai ficar alto, mas a taxa já está decrescente?, disse, em nota divulgada à imprensa. Além da volta dos impostos, outros motivos apontados para a desaceleração foram a volta do compulsório e a taxa de juro, que já subiu 0,75%, a maior alta de todos os países.
?Além disso, tivemos o corte de R$ 10 bilhões nos gastos do Governo. Um outro fator que ajudará no desaquecimento é a crise europeia, que diminui a disponibilidade de crédito para a economia brasileira e a rolagem da dívida das empresas. Também vai dificultar os IPOs [ofertas iniciais públicas de ações] e vai diminuir a abertura de capital das empresas?, declarou.
O resultado
Mantega disse ainda que o crescimento de 2,7% do PIB no primeiro trimestre estava além do esperado e mostra que a economia brasileira teve uma das melhores recuperações do mundo ? apenas a China teve crescimento desta magnitude -, resultado de um conjunto de políticas monetária e fiscais bem sucedidas.
O ministro afirmou que é preciso considerar que 2009, ano da base comparativa, foi fraco. ?Eu diria que o primeiro trimestre foi o auge da retomada do crescimento. Todos os estímulos estavam em vigor: as desonerações do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados], a redução dos compulsórios dos bancos e a taxa de juros, que estava em seu menor patamar. Ainda tivemos os estímulos dos gastos do governo?, ponderou.
Mas, mesmo assim, ele espera para este ano um aumento entre 6% e 6,5% do produto interno. ?A trajetória é de um crescimento moderado. Caminhamos para um crescimento sustentável?.

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