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Revolução da moeda virtual

A tecnologia está revolucionando os meios de pagamento ao redor do mundo. Aos poucos a moeda eletrônica substitui a moeda manual e o Brasil assume papel de destaque nesse processo. A proporção do papel moeda na economia brasileira em relação ao PIB, cerca de 3%, é uma das mais baixas do mundo. Está no mesmo patamar observado na França, Alemanha e Holanda.

A tendência é que as economias migrem para os meios eletrônicos de liquidação de operações, deixando de realizá-las através de papel moeda ou mesmo através de cheques. Isso se deve ao custo envolvendo ambas as formas de operação. Uma transação eletrônica custa o equivalente a um terço de uma operação utilizando papel.

Dados do Banco Central do Brasil dão uma clara idéia da utilização crescente da moeda eletrônica nas economias. No relatório Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo do Brasil, entre 2001 e 2007 países como Bélgica, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e outros reduziram, em média, em quase 60% a participação dos cheques nas transações sem uso de dinheiro manual. Na Suécia a redução foi de 100% e no Brasil de 64%. As formas de pagamento no varejo que mais cresceram foram os cartões de débito e de crédito. Os destaques desse aumento foram: Brasil (110%), Suécia (92%), Estados Unidos (49%) e Itália (43%).

A necessidade de reduzir custos de transação aos agentes produtivos e os riscos dos sistemas de pagamentos colocaram o Brasil na vanguarda desse processo em função dos vultosos investimentos que modernizaram a estrutura bancária do país.

O dinheiro eletrônico implica em custos menores das transações e isto, em última análise, determina grande parte da estrutura de uma economia. Quanto mais os custos forem reduzidos pelas novas formas de dinheiro as trocas serão dramaticamente atomizadas.

A economia brasileira conta com uma base crescente de instrumentos de pagamento eletrônico através de cartões de plástico. No final de 2008 o país registrava 208 milhões de cartões de débito (crescimento de 200% em cinco anos) e 132 milhões de cartões de crédito (aumento de 66% em cinco anos).

Toda essa estrutura de pagamento foi viabilizada com a expansão dos terminais eletrônicos no comércio e nos bancos, lembrando ainda o destacado papel do Banco Postal em atender o público de baixa renda. Tudo isso difunde a moeda eletrônica. Através dessa forma de dinheiro as regiões mais remotas do país e os cidadãos que eram excluídos dos serviços bancários passam a usufruir dos benefícios da tecnologia.

O mundo vive uma revolução desencadeada pelo dinheiro virtual. Isso terá impacto profundo na atividade produtiva como os causados pelas novas formas de dinheiro criadas a partir das mercadorias-moeda.

A predominância da moeda virtual é um elemento fundamental a ser considerado na retomada da reforma tributária a partir do ano que vem. É a chave para um novo modelo de tributação que permite reduzir o ônus individual para os contribuintes, combater a sonegação e simplificar o sistema. É o imposto único sobre a movimentação financeira que vai se impondo.

 Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.

Internet: www.marcoscintra.org

E-mail: [email protected]

Twitter: http://twitter.com/marcoscintra

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