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Controladoria, auditores e crescimento sustentado

Depois de enfrentar com relativa calma uma crise mundial cuja gravidade, na análise dos especialistas, só se compara ao crash da bolsa de Nova York em 1929, o Brasil termina esta década posicionado como o mais promissor dos BRICs. Analisar o papel daqueles que serão responsáveis por abalizar a lisura no mundo dos negócios – função esta que cabe às controladorias e também aos auditores – é de grande importância neste momento.

Em primeiro lugar, cabe lembrar que a falta de controles regulatórios eficientes foi um dos elementos responsáveis pelo desencadeamento da crise. A disseminação de papéis sem lastro, aliada ao excesso de otimismo dos agentes financeiros, traduziu-se em quebradeira de empresas e falência de pessoas.

Nesse contexto, as vigilâncias cerradas do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários permitiram ao Brasil atravessar o período crítico sem sofrer danos maiores. Ao frear, de forma séria e consistente, as investidas dos especuladores, o BC e a CVM fortaleceram a confiança nas empresas e colocaram o Brasil no rol das economias emergentes que mobilizam as esperanças da continuidade da geração de valor econômico-financeiro. Em outras palavras: no momento em que repeliu o capital especulativo, o Brasil tornou-se atraente para o capital de boa qualidade.

Novas oportunidades se apresentam com o barateamento do crédito, ou, como preferem alguns, da "capacidade de endividamento das empresas". Acostumados que estamos aos juros estratosféricos, a simples possibilidade de contrair financiamentos a juros baixos, ou de obter a capitalização necessária via mercado de capitais, já nos coloca em clima de otimismo.

A demonstração financeira clara, transparente, constitui um dos objetivos centrais da controladoria. Ela ajuda a planejar, formula simulações de cenários possíveis num ambiente em que se misturam capitais de terceiros e capitais dos acionistas e, dessa forma, sinaliza o que seria um grau de endividamento seguro. Cabe lembrar que crescimento pressupõe abraçar novos desafios, e, apoiado numa adequada estrutura de capitais, manter a continuidade das atividades empresariais. Expansões por aquisições de novos negócios ou ampliar os negócios existentes são as novas oportunidades que se apresentam. A controladoria deve estar preparada para produzir essas informações e torná-las disponíveis aos gestores.

Aos auditores, cabe avaliar as informações financeiras geradas pelas empresas e emprestar credibilidade a elas, de forma que os agentes do mercado financeiro – investidores também – fiquem à vontade com essas informações e disponibilizem os capitais com custos razoáveis, tornando-se, dessa forma, beneficiários da riqueza que eles próprios estarão ajudando a gerar.

Há bons motivos, portanto, para concluir que o equilíbrio entre a regulação dos mercados, o subjetivismo responsável dos controllers na geração de informações financeiras e o ceticismo dos auditores na análise dessas informações são os ingredientes básicos do crescimento sustentado.

Paulo Ricardo Alaniz é sócio-diretor da BDO, responsável pelo escritório de Porto Alegre (RS).

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