Corporativa

O valor das auditorias

Luciano De Biasi

O crash da Bolsa de Nova York, em 1929, fez o serviço de auditoria ganhar importância, já que a crise foi causada por falhas no controle e na análise das informações contábeis das companhias. A partir daí, o mercado financeiro percebeu a necessidade de fortalecer os controles internos das organizações e de dar importância aos usuários externos como destinatários das informações financeiras. Esse processo culminou na criação da SEC, em 1934, que é o órgão regulador do mercado financeiro dos EUA.
Coube a ela fortalecer o papel do auditor e consolidar a atividade nos moldes como a conhecemos hoje.
Nessa profissão, nada é mais importante do a capacidade do auditor. O treinamento ainda é o principal investimento para a manutenção da qualidade dos serviços. Ainda mais no cenário brasileiro atual, no qual as faculdades estão falhando na formação dos profissionais.
E ensino sem qualidade custa caro. O treinamento e a formação de auditores são essenciais para assegurar a qualidade do trabalho e têm um preço alto a ser pago pelas empresas e repassado à sociedade como um todo.
A partir de 1990, deu-se uma concorrência feroz entre as oito maiores firmas de auditoria. Logo, o valor pago pelos serviços despencou, obrigando as empresas a reduzir os benefícios.
Isso levou a uma migração dos melhores profissionais para o outro lado: as empresas auditadas. Restou às "big 8" uma mão de obra mediana e de autogiro, o que comprometeu o nível dos serviços de auditoria.
Atualmente, as big 8 foram reduzidas a quatro, devido à derrocada de algumas e à união de outras, provocada pela necessidade de redução de custos trazida pela competição selvagem.
Não há dúvida de que a concorrência é salutar. Ela separa os bons dos medíocres. Mas deve ser feita de forma responsável, para se evitar a queda no nível dos trabalhos oferecidos. Assistimos, hoje, a uma competição desmedida no mercado de serviços contábeis, no qual a guerra de preços supera, em muitos casos, a qualidade dos serviços.
Uma saída é a fiscalização mais intensa por parte dos órgãos reguladores. Outra é a aplicação dos testes de suficiência técnica para novos profissionais. É preciso encontrar soluções.
Os serviços de auditoria devem ser remunerados à altura dos recursos empregados e da importância que têm para a economia. A guerra de preços pode levar esses mercados à autodestruição, com erros e fraudes decorrentes da limitação técnica dos profissionais e da dependência financeira de trabalhos de consultoria, o que causa conflitos de interesses.
Cabe uma análise por parte dos órgãos fiscalizadores da relação entre responsabilidade técnica e recursos humanos em comparação aos honorários. Isso serve para assegurar que o que está sendo remunerado é a prestação de um serviço de auditoria de qualidade.
E não somente a emissão de um relatório de auditor independente. A auditoria é imprescindível para a existência de um sistema financeiro sólido. Exatamente por isso, ela deve ser responsável.
Luciano De Biasi é sócio-diretor da empresa de auditoria e consultoria De Biasi

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